A mulher e suas jornadas de trabalho

Publicado em 16/09/2013
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Com tanta tarefa, pesquisa mostra que mulheres não têm tempo de se cuidar

A mulher que desenvolve atividade fora do lar enfrenta, muitas vezes, dupla ou até tripla jornada de trabalho. Ocupa-se em desempenhar funções profissionais para ajudar no orçamento doméstico e ainda tem de atuar como mãe, dona de casa e esposa. Tirando essas preocupações, muitas vezes ainda ganhaum salário menor que o homem que executa a mesma tarefa, sofre discriminação em algumas situações por ser mulher e ainda precisa estar sempre bonita e pronta para vencer as dificuldades de uma sociedade muitas vezes machista. Além disso, pesquisa mostra que elas não têm tempo de se cuidar.

Um estudo realizado em 2012 pela organização feminista SOS Corpo e os institutos Data Popular e Patrícia Galvão, mostrou que 75% da população feminina consultada dizem enfrentar uma rotina exaustiva, enquanto 18% não sofrem desse problema e 7% não sabem afirmar.

De um total de 800 mulheres pesquisadas, 98% disseram que além de trabalhar, precisam se dedicar à casa. Dessas, 63% recebem ajuda, 10% recebem ajuda paga e 27% estão sozinhas nos afazeres domésticos. A participação dos homens nessas tarefas é baixa, 71% das mulheres não contam com nenhum auxílio masculino.

Os principais objetivos da pesquisa foram avaliar como as mulheres brasileiras enfrentam a dupla jornada de trabalho e subsidiar políticas públicas que ofereçam apoio à mulher. Entre os resultados do levantamento, o que mais chamou a atenção foi a preocupação das mulheres com a falta de tempo para se cuidar. Do total de 68% de entrevistadas que reclamaram de falta de tempo, 58% queixaram-se de não conseguir dedicar momentos a elas mesmas.

A farmacêutica, Melissa Frota Guimarães, deixou a vida profissional e resolveu dedicar à maternidade. Depois que o segundo filho completou dois anos, voltou a vida profissional e diz não se arrepender. "Trabalhar fora é importante porque mantemos nossa individualidade, abre-se uma porta para o mundo, vislumbram-se perspectivas de novos horizontes epassamos a ter outras responsabilidades independentes do ambiente familiar, e isso traz mais segurança e realização profissional", diz. Para Melissa, é importante saber a hora certa de voltar ao trabalho. "Muitas mulheres que já trabalhavam fora antes de ter filhos não se dão a chance de perguntar: estou preparada para voltar? Vou me sentir segura? Posso contar com a ajuda do marido, da empregada ou dos avós? Se a resposta para a maioria dessas perguntas for negativa, será um "peso" muito grande conciliar a criação de um filho e o trabalho fora e não haverá carinho no convívio com a criança", relata.

Mesmo nas famílias em que as mulheres possuem ajuda de empregadas domésticas os cuidados com os filhos ficam a cargo das mães, que entre as suas obrigações tem o acompanhamento da escola e o cuidado com a alimentação.

O trabalho da mulher brasileira ainda vale menos no mercado que o do homem, é o que afirma o médico Renato Igino dos Santos, clínico geral e especialista em medicina e segurança do trabalho. Para ele, a mulher sofre preconceito no ambiente de trabalho, mas ele é velado. "A funcionária que trabalha em uma linha de produção de fábrica, por exemplo, tem de se superar ao colega do gênero masculino com todos os reflexos negativos de uma exaustão que poderia não ocorrer. Na área administrativa não é diferente, mas a forma como é tratada muda porque a dimensão do trabalho é outra e as competências cognitivas são diversas,só que a pressão não deixa de existir", relata. Para Igino, a trabalhadora não tem autonomia para mudar a condição que lhe é desfavorável e o processo produtivo em muitas situações é estático.

Igino alerta que as funcionárias que são mães precisam ser analisadas pela dupla jornada de trabalho e os impactos que ela causa na empresa. "Pensando coletivamente, quais seriam os suportes sociais utilizados para que a mulher nesta condição possa dar conta? E se no próprio trabalho podemos enxergar alguma situação desfavorável. É desta forma que poderemos auxiliar e, às vezes chegarmos a um afastamento. Mas o afastamento não pode ser em condição extrema porque a recuperação pode demandar mais tempo do que o desejado", diz.

Melissa diz que nunca sofreu e nem sofre preconceito no ambiente de trabalho, mas acredita que a profissional que é mãe será um dia reconhecida, admirada e poderá até ganhar um salário igual ao homem porque assumi diversos papéis. Uma das maiores dificuldades delas trabalharem fora é terde tomar decisões como mulher de negócios e ser mãe dentro de casa, possuindo pulso forte para decidirem, com filhos e marido, a rotina diária da família. Melissa acredita que esse é o grande diferencial da trabalhadora que é mãe. "Se eu fosse o patrão, não hesitaria em contratar mães, que com esse ofício aprendem a ter muito jogo de cintura, psicologia diária e prontas para ganhar qualquer negociação", argumenta.

Cuidados com o estresse feminino

Para o médico Igino, o trabalho da mulher envolve séria condição de assimilar o que se passa no mundo. Ela precisa estar, constantemente, envolvida com o lado humano das pessoas. A profissional, a mãe e a dona de casa precisam descansar, estar mais presentes em casa, envolvidas com o acompanhamento dos filhos para não correrem o risco de se estressarem e desenvolverem algum tipo de doença. O acúmulo de tarefas podem deixá-las ansiosas, pressionadas e preocupadas. E tudo isso são condições propícias para desenvolverem um estresse, que pode se manifestar de diferentes formas. Para algumas mulheres é algo temporário e para outras pode ser duradouro. A situação vai depender do equilíbrio emocional de cada uma O médico alerta que o tipo mais comum de estresse nesses casos é a síndrome Burn Out, onde ocorre problemas de depressão.

Segundo o especialista, a mulher pode perceber o quadro de estresse quando sente fadiga, falta de proatividade, mais vontade de comer carboidrato para conter a ansiedade, sonolência e irritabilidade. Nesses casos, é importante a procura de uma ajuda médica para não agravar o estado.


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